sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Inclusão da informática na educação para os cegos

Deficiência Visual
Definição
O termo deficiência visual refere-se a uma situação irreversível de diminuição da resposta visual, em virtude de causas congênitas ou hereditárias, mesmo após tratamento clínico e/ ou cirúrgico e uso de óculos convencionais.
A diminuição da resposta visual pode ser leve, moderada, severa, profunda (que compõem o grupo de visão subnormal ou baixa visão) e ausência total da resposta visual (cegueira).
Segundo a OMS (Bangkok, 1992), o indivíduo com baixa visão ou visão subnormal é aquele que apresenta diminuição das suas respostas visuais, mesmo após tratamento e/ ou correção óptica convencional, e uma acuidade visual menor que 6/ 18 à percepção de luz, ou um campo visual menor que 10 graus do seu ponto de fixação, mas que usa ou é potencialmente capaz de usar a visão para o planejamento e/ ou execução de uma tarefa.
Os estudos desenvolvidos por BARRAGA (1976), distinguem 3 tipos de deficiência visual:
CEGOS: têm somente a percepção da luz ou que não têm nenhuma visão e precisam aprender através do método Braille e de meios de comunicação que não estejam relacionados com o uso da visão.
Portadores de VISÃO PARCIAL: têm limitações da visão à distância, mas são capazes de ver objetos e materiais quando estão a poucos centímetros ou no máximo a meio metro de distância.
Portadores de VISÃO REDUZIDA: são considerados com visão indivíduos que podem ter seu problema corrigido por cirurgias ou pela utilização de lentes.
Causas
As principais causas da cegueira e das outras deficiências visuais têm se relacionado a amplas categorias:
• Doenças infecciosas;• Acidentes;• Ferimentos;• Envenenamentos;• Tumores;• Doenças gerais e influências pré-natais e hereditariedade.
Hoje, em pleno século XXI, escolas e/ou instituições especializadas que
trabalham com alunos com necessidades educacionais especiais vivem um grande
desafio: como inclui-los no ensino regular. O ato de incluir, não deve significar
simplesmente matricular no ensino regular tais educandos, mas assegurar ao professor
e à escola o suporte necessário à sua ação pedagógica.
Atender às necessidades especiais desses alunos supõe, portanto, mudar o
olhar da escola, preconizando não a adaptação do aluno a ela, mas a adaptação do
contexto escolar a ele.

Os principais dispositivos legais que tratam da inclusão de alunos com necessidades especiais;

“O movimento mundial pela inclusão é uma ação política, cultural, social e pedagógica, desencadeada em defesa do direito de todos os alunos de estarem juntos, aprendendo e participando, sem nenhum tipo de discriminação.”

Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva

Lei nº 9.394/96 - Diretrizes e Bases

Art. 58 – Educação Especial: Modalidade de educação oferecida PREFERENCIALMENTE na Rede Regular de ensino.
§ 1º - Haverá quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial.

Algumas funções do Atendimento Especializado
• Língua brasileira de sinais (Libras)
• Ensino de Língua Portuguesa para surdos
• Sistema Braile
• Orientação e Mobilidade
• Mobilidade e Comunicação Alternativa/Aumentativa
• Tecnologias Assistivas
• Informática Educativa
• Educação Física Adaptada
• Atividades da vida social


Resolução CNE/CEB Nº 2/2001
Art. 12 - ...assegurar a acessibilidade aos alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, mediante a eliminação de barreiras arquitetônicas urbanísticas, na edificação – incluindo instalações, equipamentos e mobiliário – e nos transportes escolares, bem como de barreiras nas comunicações, provendo as escolas dos recursos humanos e materiais necessários
As adaptações simples nos sistemas operacionais de computadores de forma que seja possível sua utilização;
Recursos de software: programas que integram o sistema operacional do computador e/ou vendidos separadamente, que adicionam funções ao sinal gerado pelo teclado em seu caminho de processamento. Incluem a filtragem de teclas a toques indesejados, controle sobre a repetição de pulsos em pressionamento prolongado, teclas aditivas que permitem o pressionamento seriado em substituição ao pressionamento simultâneo de teclas para gerar outras funções ou simplesmente para gerar letras em maiúsculas. Como o sistema operacional mais comumente utilizado em nosso país é o Windows, torna-se necessário conhecer suas “Opções de acessibilidade”, que deverão ser bem exploradas e ajustadas à condição particular do usuário, facilitando assim a utilização do teclado convencional, mouse e demais recursos de tela e sons do computador.
Ajustes no editor de texto: Alguns editores de textos possuem “auto-correção” onde poderemos trabalhar com abreviaturas e expansão automática, tornado a digitação mais rápida. Por exemplo:determinamos que “poa” seja corrigido por “Porto Alegre”, ou ainda “js” seja corrigido por “José da Silva”. Desta forma, com a digitação de 2 ou 3 teclas o usuário terá digitado a palavra ou o nome completo, acelerando em muito sua produção escrita. Para testar esta função no Word, deve-se clicar em “Ferramentas”, “Auto-Correção” e na aba “Auto-Correção” selecionar a opção “Substituir texto ao digitar”. Você encontrará um campo para digitar abreviatura e um campo para digitar a palavra inteira, clique ainda em “adicionar”. Ainda na função “Auto-Correção”, poderemos escolher outras opções como “corrigir duas iniciais maiúsculas”, “colocar a primeira letra da frase em maiúscula”, corrigir uso acidental do Caps Lock, etc.
As principais tecnologias assistivas de software e hardware que facilitam o uso de computadores.
Colméia: superfície de material rígido e perfurado, confeccionado usualmente em chapa de acrílico transparente, plástico ou metal, que funciona como limitador de movimento. É fixada sobre o teclado convencional, tendo uma furação coincidente às teclas do mesmo. Sua função é evitar o pressionamento involuntário de teclas indesejadas, durante a digitação. Pode-se confeccionar colméias de papelão para tapar a posição de várias teclas, deixando-se visível somente aquelas necessárias à função pretendida (por ex. barra de espaço, Enter, teclado numérico). Isto facilita o desempenho autônomo do computador na fase inicial de aprendizado ou quando o teclado inteiro apresentar estímulos em demasia para o usuário em questão.
Adesivos: etiquetas auto-adesivas que apresentam letras e sinais grandes e em cores contrastantes, aplicadas sobre as teclas e utilizadas para melhorar a percepção visual das mesmas.
Suportes: dispositivos articulados presos à mesa de trabalho que posicionam o teclado em relação à altura, distância e ângulo permitindo ao usuário uma melhor manipulação do teclado.
Reconhecimento de voz: Sistemas de hardware e software integrados, que permitem ao computador "entender" a voz humana. Permitem o usuário não só comandar o computador, como também dispensam totalmente os teclados de qualquer natureza, pois permitem a digitação de texto diretamente pela voz humana no microfone do computador. Este sistema é composto de um software muito complexo de decodificação sonoro/fonética, microfone e placa de áudio (normalmente é utilizada a placa de som integrada ao computador). Este recurso ainda apresenta dificuldades para o uso em indivíduos com disartria, pois sendo sua pronuncia irregular, o banco de fonemas gerado pelo usuário no programa não decodifica todas a variantes sonoras dos mesmos.
• Proporcionar atividades educativas e indicar estratégias aos educadores para o desenvolvimento de habilidades funcionais e conhecimentos que serão importantes para tornar a pessoa com deficiência intelectual independente e produtiva, conforme suas possibilidades na sua vida escolar, familiar e social.
• Educar,ensinar e instruir para a vida prática,proporcionando desenvolvimento de comportamento e atitude adequados para o convívio social. Oportunizando a vivência das tarefas do cotidiano no ambiente escolar, denominadas AVPs (Atividades de Vida Diária) e AVDs (Atividades de Vida Prática) melhorando assim a sua qualidade de vida.

Referências Bibliográficas
Anson, D.K. (1997) Alternative Computer Access – A Guide to Selection. Filadélfia, PA. F. A. Davis Company.
Church, G. & Glennen S. (1992) The handbook of Assistive Technology. San Diego, California. Publishing Group.Cook, A.M. & Hussey, S. M. (1995)
Assistive Technologies: Principles and Practices. St. Louis, Missouri. Mosby - Year Book, Inc.King, T. (1999) Assistive Technology
Singular– Essential Human Factors. Needham Heights, MA. Allyn and Bacon.
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MASINI, E. F. S. – O Perceber e o Relacionar-se com o Deficiente Visual. Brasília: Corde, 1994.
ISAAC, M. J. P. (tradutora) As Deficiências Visuais – Deficiências e Adaptações, Ed. Manole, SP, 1989.